Registro documental e poético de uma Bahia que não existe mais, a fotografia do baiano Voltaire Fraga (1912-2006) poderá ser observada de perto na mostra Voltaire Fraga, Hoje (entre o ontem e o amanhã).

Com seu olhar instigante, situado entre o artístico e o etnográfico, Voltaire percorreu os muitos cantos da cidade de Salvador, entre os anos de 30 e 60, flagrando o cotidiano do seu povo, suas tradições e festejos, sua espontaneidade nas ruas, sua herança religiosa e cultural.

As 36 fotografias que compõem a mostra, que fica em cartaz até o fim de setembro, perpassam e dão provas dessa assinatura do fotógrafo, que em vida não teve o devido reconhecimento. “Um dos motivos dessa exposição é o de almejar ser uma exposição significativa para um público que desconhece, seja porque foi de outra geração ou porque teve pouco contato. A ignorância em relação à produção dele é comum a todos nós, fruto também da falta de políticas públicas e culturais que reforcem o lugar da fotografia. Assim como ele, há vários outros fotógrafos que mereceriam ser postos em evidência”, destaca o curador Dilson Midlej, doutor em Artes Visuais e professor da Escola de Belas Artes da Ufba.

Foto: Reprodução/ Voltaire Fraga

O reconhecimento da obra de Voltaire Fraga foi bastante tardio. Há dez anos – três anos depois da sua morte -, o fotógrafo foi homenageado na quinta edição do A Gosto da Fotografia, que lhe prestou uma homenagem expondo dezenas de fotos. Antes, ele só havia tido uma única exposição individual na Bahia, com curadoria de Celia Aguiar, em 1999. A projeção nacional veio em 2008, quando ganhou uma exposição na Pinacoteca de São Paulo, intitulada Voltaire Fraga – Abundante Cidade, Dessemelhante Bahia, com curadoria de Diógenes Moura.

Foto: Reprodução/ Voltaire Fraga

Por isso, essa é uma rara oportunidade para mergulhar no universo do fotógrafo, um dos mais importantes quando o assunto é documentar com tom poético a Velha Bahia.“O que o distingue é justamente o olhar poético denotado em suas narrativas visuais, o universo temático e as preferências estilísticas que tomam forma por meio dos recursos possibilitados pela fotografia (enquadramento, claro-escuro, texturas, filtros, desfocagem da imagem, etc.)”, enfatiza Midlej.

Infelizmente, muitas das imagens se perderam durante um temporal que inundou a casa de Voltaire Fraga e destruiu quase 10 mil negativos. Hoje, o acervo de mais de 2 mil negativos pertence à Alba Mara Peixoto, filha do fotógrafo, e  aHaroldo de Oliveira Peixoto. Foi do material mantido por eles que as 36 fotos da exposição foram selecionadas.

Local e horário da mostra: Voltaire Fraga, Hoje (entre o ontem e o amanhã)

Mostra: Voltaire Fraga, Hoje (entre o ontem e o amanhã)
Local: Roberto Alban Galeria (R. Senta Púa, 53, Ondina)
Visitação:30/08/2019 a 30/09/2019 (segunda a sexta, 10h às 19h; sáb, 10h às 13h)